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13/03/2010
Mulheres na linha de frente

Iniciativas como o blog Gestão Feminina e a Customizar mostram que de moda e empreendedorismo, as mulheres entendem

Por Lydia Cintra, da Elemidia Empresas


Apesar do pouco tempo de vida (são aproximadamente 2 anos no mercado), a conversa é de gente grande. Novas, com disposição e conhecimento, duas jovens que se conheceram pelo Twitter firmaram uma parceria que tem mostrado bons resultados para o público feminino, em especial a donas (ou futuras) de pequenas e médias empresas. Renata Alves, idealizadora do projeto Gestão Feminina, e Juliana Manzato, que criou a consultoria Customizar Marketing de Moda, vêm passeando por algumas cidades paulistas e distribuindo conhecimento para mulheres que querem empreender. “A parceria começou com uma coluna especializada da Customizar sobre vendas, atendimento e moda no blog Gestão Feminina”, diz Renata. Depois, vieram as palestras e eventos. “Achamos que era hora de passar para o mundo físico, sair do virtual, e fazer as palestras em livrarias, shoppings." E deu certo.
 
Tão certo que hoje elas já pensam em expandir as andanças e espalhar a bandeira do empreendedorismo feminino pelo Brasil. Por enquanto, têm agenda cheia em SP. Os encontros entre as empreendedoras para a discussão do “Marketing de Moda e Empreendedorismo” funciona, em especial, como ponto de encontro entre pessoas que querem fazer negócios entre si. “Às vezes, as pessoas não sabem com quem podem fazer parcerias e negócios e acabam achando nas palestras”, comenta a jornalista do Gestão Feminina.
 
As empresas
Renata conta que a ideia inicial do Gestão Feminina era montar uma revista, mas, com o tempo, viu que na web seu projeto de gestão poderia ter mais visibilidade, com a vantagem de ser uma ferramenta gratuita. “A proposta era falar de gestão e carreira para executivas. O que conhecíamos sempre remetia a comportamento e fofoca. Nas revistas de negócios, os principais personagens eram homens. Com o tempo, vimos que faltava orientação e informação, então mudamos o foco para empreendedoras, negócio e dicas do dia-a-dia. O blog cresceu e ao mesmo tempo surgiram propostas de parcerias e divulgação de logotipo”, comemora.
 
Apareceu, então, a Customizar, especializada em moda. “Vimos que o público era o mesmo e que empreendedorismo e tendências de mercado são coisas novas que as pessoas têm sede de saber. Querendo ou não, a moda influencia muito”, diz Juliana. “Hoje, uma pessoa que abre uma loja quer ter lucro. A maioria não investe em Marketing e comunicação. Queremos mudar a cabeça das pessoas. É importante investir na empresa, não basta só montar. Por isso, para começar, fazemos um planejamento estratégico de Marketing, que me dá a visão do caminho certo, de onde queremos chegar”, completa a jovem diretora da consultoria.
 
Segundo ela, o trabalho de consultoria envolve, inicialmente, amplo levantamento e formação de banco de dados sobre a região de atuação. “É pesquisa de campo. Conhecemos a história do lugar para entender o consumidor de lá. É um perfil demográfico e quantitativo”, diz. Como exemplo, Juliana conta a história de uma senhora de Pedreira, interior de São Paulo, dona de uma loja de confecções junto com seus filhos e netos, que contratou o serviço da Customizar para reformular a dinâmica de vendas do local. “Descobrimos que tinha muita coisa dentro da loja, muita peça encalhada, que estava lá há até 2 anos." O primeiro passo foi colocar tudo com até 70% de desconto. Com esse dinheiro, a loja começou a investir quinzenalmente na compra de novas peças, e, com o cadastro de clientes sempre atualizado, a proposta da consultora era ligar, com frequência, para as frequentadoras da loja para contar as novidades. “Tem que ter sempre coisa nova. O cliente vai na loja e compra mais, as invés de uma vez por mês, vai e compra duas”, afirma.
 
Mas, de todo esse mercado de inovação, moda e feminilidade, qual a principal dificuldade que elas encontram na mentalidade das pessoas? “Muitos não são abertos a novidades. Se tivesse cabeça mais aberta conseguiria resolver os problemas mais facilmente. As pessoas acham que o que elas querem fazer é suficiente, e não é. Tem sempre muita novidade nesse mercado, e a gente vê as lojas no mesmo formato. Tem que ter um diferencial”, conclui Juliana.  
 
 
Mídias Sociais
O uso das mídias sociais por pequenas e médias empresárias é um dos principais focos das palestras. Afinal, como diz Renata, “se não fosse a internet, não estaríamos no patamar em que estamos com o nosso negócio hoje.” Fala-se de gestão, redes sociais, empreendedorismo e orientações em relação a blogs e Twitter. “Em resumo, o que fazemos é mostrar como informar, planejar e divulgar”, comenta Renata. Como, normalmente, as mídias sociais são destacadas para grandes empresas, que possuem departamentos próprios de ação, Renata e Juliana buscam mostrar que este é um trabalho literalmente democrático: o alcance da web abrange todos os tamanhos de empresas. “Mostramos que as mídias sociais servem para se comunicar a um custo zero, mantendo o funcionário e o cliente perto da empresa”, diz Renata.
 
O público delas é focado: falam para mulheres, embora interessados em geral também possam interagir nas redes sociais ou frequentar as palestras. “A maioria dos empreendedores desse mercado são mulheres, até pela proximidade com a moda. É um mercado dominado pelo sexo feminino.” Afinal, empreender é uma questão de ousadia - característica latente da mulher contemporânea, como Renata e Juliana, que falam com propriedade como e para quem quer se destacar nos negócios. Não importa o tamanho do salto.

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